The New Art Fest

Introdução

— where art meets technology

Ideia e direção: António Cerveira Pinto
Organização e Produção: OCUPART
Comissário das edições de 2016 e 2017: António Cerveira Pinto
Local principal: Lisboa
Ocorrência: anual, em novembro
Objetivo: organizar em Lisboa um festival internacional de arte e novas tecnologias, imerso no pulsar físico e eletrónico da cidade de Lisboa, socialmente convergente, participado, pedagógico, e contaminado pela teoria, pela ciência, pelas novas tecnologias e pelas redes sociais.

O Festival apresentará por sistema obras de arte físicas e imateriais, com uma forte densidade conceptual, de conhecimento e ritmo.

O Festival terá lugar em vários espaços exteriores e interiores da cidade de Lisboa — dos museus, galerias e espaços alternativos às montras do Chiado, às fachadas e esquinas, dos autocarros e elevadores urbanos aos táxis, dos painéis de vídeo e electrónicos aos smartphones e tablets, das coisas à internet das coisas, da arte que fala às pessoas, à arte que fala com a arte por causa das pessoas.

Numa cidade povoada de interfaces de informação e propaganda o festival pretende usar essas mesmas interfaces de um modo diferencial, promovendo assim um acréscimo de qualidade cultural à vivência urbana quotidiana.

O eixo Rato-Cais do Sodré é a espinha dorsal de um festival cuja vocação de rede é determinante. Ou seja, este festival é parte integrante do mapa cultural de Lisboa, com as suas mais notáveis instituições e espaços alternativos e, ao mesmo tempo, tecerá ao longo das suas edições uma rede eletrónica de cumplicidade cognitiva e artística com as instituições, festivais, espaços alternativos e autores por um mundo que desejamos livre de muros e preconceitos.

Os artistas, as suas obras e a comunicação com o público são o mais importante.

By 2030, it is estimated there will be more than 100 trillion sensors connecting the human and natural environment in a global distributed intelligent network — Jeremy Rifkin.

Uma das novidades mais deste enriquecimento cognitivo da realidade é a duplicação digital do mundo através dos algoritmos computacionais que alimentam e reproduzem a internet da informação e da comunicação, a internet da representação e da telepresença, e a internet das coisas.

Esta desmaterialização digital provocou uma evolução específica no campo das artes. Da imagem ao som, passando pela palavra e pela manipulação simbólica dos conceitos, centenas de artistas em todo o mundo consideram as novas tecnologias, e os novos desafios do conhecimento, como origem, matéria prima e ferramenta de criação simbólica num universo cultural cada vez mais partilhado pelas pessoas, seja quando se relacionam entre si, seja quando interagem com o resto da Natureza. Há uma nova arte cognitiva que se expande a cada dia que passa. O material (isto é, as coisas físicas e palpáveis) e o imaterial (seja o imaterial que é matéria mas que os sensores humanos não sentem, seja o imaterial da representação, do pensamento, da lógica e da linguagem) falam cada vez entre si, e ao fazê-lo, aumentam as dimensões materiais e imateriais da realidade, de que a nossa vida faz parte.

Da imagem ao som, passando pela palavra e pela manipulação simbólica dos conceitos, milhares de artistas em todo o mundo consideram as novas tecnologias, e os novos desafios do conhecimento, como origem, matéria prima e ferramenta de criação, da representação e da comunicação simbólicas num universo cultural cada vez mais partilhado, seja quando as pessoas se relacionam entre si, seja quando interagem com as coisas e seres que nos rodeiam. Há uma nova arte cognitiva que se expande a cada dia que passa. O material (isto é, as coisas físicas e palpáveis) e o imaterial (seja o imaterial que é matéria mas que os sensores humanos não sentem, seja o imaterial da representação, do pensamento, da lógica e da linguagem) falam cada vez entre si, e ao fazê-lo, aumentam as dimensões materiais e imateriais da realidade, de que a nossa vida faz parte.

Há uma nova arte, de base marcadamente cognitiva, que se expande a cada dia que passa. O material (isto é, as coisas físicas e palpáveis) e o imaterial (o imaterial que é matéria mas que os sensores humanos não sentem, ou o imaterial da representação, do pensamento, da lógica e da linguagem) falam cada vez mais entre si, e ao fazê-lo, aumentam as dimensões materiais e imateriais da realidade, de que a nossa vida faz parte.

É esta nova matriz complexa e fina, de uma arte que não deixando de ser arte, isto é, ‘manifestação da subjetividade concreta’, é progressivamente mais mental e cognitiva, que merece ser celebrada num festival.

Ao contrário da certeza científica, sempre relativa e temporária, os mitos, a literatura e a poesia resistem melhor à passagem do tempo. Ao contrário da certeza perseguida pelo conhecimento, a verdade da ficção, tal como a representação simbólica na arte, não é passível de verificação ou prova, nem é refutável pela realidade. E é por isto mesmo que a arte é capaz de absorver todos os conhecimentos e técnicas sem necessariamente morrer nas suas mãos.

É esta certeza subjetiva imutável que Giuseppe Tornatore tão bem descreveu sob a forma de uma nostalgia irresistível em Cinema Paraíso.

Que a Teoria, a Dialética e a Estética continuem a encontrar-se nas alamedas éticas da Humanidade, é o desiderato deste festival.

The New Art Fest ‘17

TEMA

São tudo objetos

CONCEITO

Porque hei-de ir ter com a arte, se a arte vem ter comigo?

Robótica, Inteligência Artificial, Realidade Virtual (Aumentada e Mista) continuam a acelerar a des-materialização do “objeto” artístico, do público, e da interação entre “objeto”-arte e “objeto”-espectador. O palco, a galeria e o museu competem hoje com a tele-presença e as redes sociais. Uma banda rock quando atua “ao vivo” é, de facto, uma entidade humana artilhada com próteses tecnológicas destinadas à projeção e amplificação eletrónica do “objeto”-arte.

Num mundo onde o homem tecnológico (o “pós-humano”, para alguns, ou o “agente-rede”, para outros) predomina sobre o resto da sua espécie e sobre as demais espécies, o que os artistas criam entrou também no novo sistema de classificação informática universal.

Desde a invenção da fotografia que o artista anda atrás da ciência e da tecnologia — atrás, porque evolui à medida dos avanços destas (todos nos lembramos da ansiedade epistemológica e estética de Walter Benjamin), e porque as persegue ansiosamente na esperança de que a explosão criativa destas deixe um dia de ser o motivo do espanto e da economia.

Nas vésperas de uma nova revolução nas nossas próteses cognitivas, sensoriais e culturais —anunciada sob o lema da Realidade Aumentada e da Realidade Mista pela Microsoft, pela Apple, pela Samsung e pela Magic Leap— a obsolescência, intrínseca ao conhecimento e às tecnologias, ameaça outra vez a arte na sua aparência e interatividade tecnológica, para não dizer no seu paradigma, essa aporia a que chamamos ‘arte contemporânea’.

Na edição de 2016 iniciámos a abordagem do que cremos ser o próximo paradigma do ‘index’ artístico (Alfred Gell): a confluência da Robótica, da Inteligência Artificial e da Realidade Aumentada naquela que será a próxima revolução industrial.

Demos a este projeto o nome Segunda Cidade (Second City). Iremos certamente dar novos passos nesta investigação até novembro de 2017, o mês do festival de arte nova que tem lugar em Lisboa e cuja designação de marca internacional é: The New Art Fest.

CITAÇÃO

Alan Kay:

1. Everything is an object
2. Objects communicate by sending and receiving messages (in terms of objects)
3. Objects have their own memory (in terms of objects)
4. Every object is an instance of a class (which must be an object)
5. The class holds the shared behavior for its instances (in the form of objects in a program list)
6. To eval a program list, control is passed to the first object and the remainder is treated as its message

PROGRAMA PRELIMINAR

SECÇÕES:

I – São tudo objetos (exposição)
II – A Segunda Cidade (protótipo de uma Lisboa imaterial/ os cantos da arte e da poesia)
III – Art Summit, o que as instituições culturais pensam sobre o futuro da cultura artística (integrado na Web Summit)
IV – Colóquio sobre o fim do mundo tal como o conhecemos e a emergência de uma arte nova

António Cerveira Pinto

Atualizado em 23/3/2017, 12:29 WET

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Artist and theorist.

Publicado em ações em curso, consultoria, curadoria, estratégia, projetos
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